terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

PORTAL - GNA - UFOLOGIA - SENTINELAS DA LUZ - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER - O CONSOLADOR E LIVROS BV ESPÍRITA - 04 02 26 - UFOLOGIA CÓSMICA ESPIRITUAL - GRUPO DE NATUREZA ALIENÍGENA - GNA

 





Refletir a luz do Cristo, em nós, na antiga arena da luta humana, é o nosso objetivo essencial. Dilatemos, acima de tudo, a nossa capacidade receptiva,.
43 páginas

SENTINELAS


DA


LUZ


FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER


Ditado Por

Espíritos Diversos


2


ÍNDICE


ANTE O FUTURO

Nas Convulsões Do Século Xx

Discussões

Ao Encontro Do Mestre

Serve E Encontrarás O Tesouro Da Luz

Explicação

Na Lide Espiritual

Memórias

Ordem E Luz

Posse Da Vida

Se Quiseres

Receita De Alegria

Seja Feita A Divina Vontade

Semeaduras E Ceifas

Sensações Além Túmulo

Sobriedade

Submissão

Sublime Triângulo

Vida E Morte


Onde a caridade aparece

aí está a presença de Deus.


Emmanuel - Antologia da Caridade


3


NAS CONVULSÕES DO SÉCULO XX


Emmanuel


Não bastaram as torrentes do infortúnio que as grandes guerras do século


lançaram sobre os vales do mundo.


Acordando, estremunhada, de horrível pesadelo, que perdurou por mais de

dois mil dias, e embora os lares desertos, os campos talados, as arcas empobrecidas e as

prisões repletas, arregimenta-se a coletividade planetária para novos embates de

cegueira e destruição.


Amontoam-se pesadas nuvens nos céus do Oriente e do Ocidente...

Quem impedirá a tempestade de suor e lágrimas?!...

Época de profundas aflições, dir-se-ia encontrarmos no século XX o fruto de


sangue de dezesseis séculos de menosprezo à luz espiritual.


Desde Constantino, o Cristianismo puro sofre a intromissão egoística de

humanos interesses. Sempre a ofensiva das trevas contra a luz, as arremetidas do mal

contra o bem.


É inegável que as instituições terrenas, não obstante constrangidas,

revelam apreciáveis características de progresso. Regressando ao cenário atual,

Aristóteles, o oráculo de filósofos e teólogos, não mais aplaudiria o cativeiro, declarando

o escravo "propriedade viva"; Ignácio de Loiola, o santo, a pretexto de preservar a fé,

não mobilizaria os tribunais da Inquisição.


A influência do Cristianismo determinou enormes transformações na curul

administrativa. Entretanto, a dignificação da personalidade permanece apenas esboçada.

Os aviltamentos do ódio campeiam em todos os climas. Arraiga-se a

injustiça, com a máscara da legalidade, nas organizações dos países mais nobres.


Há desvarios do poder em toda parte.

Baraço e cutelo, metamorfoseados nos mais estranhos aparelhos de tortura


e de morte, são ainda recursos da toga.


A desconfiança e a discórdia regem as relações internacionais.

Racismo tirânico perturba povos avançados. Conflitos ideológicos tremendos


aguçam o raciocínio a soldo da ciência perversa.


E, coroando o sombrio edifício, instalou-se a guerra entre os homens, à


maneira de sorvedouro infernal.


O conceito de civilização flutua ao sabor dos grupos dominantes. Para

alguns, repousa na economia ou na força; para outros, no direito exclusivista ou na

liberdade de praticar o mal. E, do que podemos presumir, não está próxima a equação do

inquietante problema.


Há sempre volumosos contingentes para ganhar a demanda, mas raros


homens se preocupam em ganhar a harmonia.


O domicílio dos homens sofrerá terríveis brechas, até que a razão se


equilibre nas diretrizes do mundo.


A inteligência bestial combaterá ainda a sabedoria divina por longo tempo.

Não somos, pois, estranhos à tormenta de lágrimas, que cobrirá a fronte

dos continentes em dolorosos quadros apocalípticos. Constituímos o fruto do que fomos,

colhemos na pauta da semeadura.


Nisto não vai estima às predições de Cassandra, nem barateamento às


profecias.


4

Buscando o Cristo nos templos exteriores e expulsando-O dos corações,


fora temeridade esperá-lo por salvador gratuito à última hora.


Eis porque, à frente dos atritos formidandos dos dias que passam, apelamos

para os seguidores do Evangelho, a fim de que se unam no culto à religião interior.

A consciência identificada com o Mestre é refúgio indispensável.

Se as doutrinas da força somente representam a decadência das nações,

por libertarem o vandalismo, restituindo o homem à animalidade primária, é justo

reconhecer que a democracia sem orientação cristã não pode conduzir-nos à concórdia

desejada. Realmente, a Revolução Francesa, que inaugurou grandes movimentos

libertários do Planeta, filiava-se, no fundo, às plataformas elevadas. Objetivava o

término das administrações inconscientes, o fim da ociosidade consagrada, a extinção de

prerrogativas delituosas, o reajustamento do governo e do sacerdócio, em nome da

liberdade, da igualdade e da fraternidade. Muitos dos patrocinadores da renovação

acreditaram-se movidos pelo messianismo evangélico; no entanto, esqueceram-se de

que Jesus advogara a liberdade de obedecer a Deus contra o mal, a igualdade dos

deveres para que o mérito marcasse a responsabilidade, e a fraternidade verdadeira,

dentro da qual há mais alegria em dar que em receber. Conspurcada nos fundamentos,

a Revolução, desbordando nos instintos sanguinários, em breve degenerou-se nas lutas

napoleônicas, estabelecendo, no mundo, as guerras odiosas de povo a povo.


Desde então, a Terra, em sua geografia política, é uma colméia


desesperada, que só a cristianização da democracia poderá reajustar.


O angustioso enigma prende-se à ordem espiritual. Impraticável o

erguimento do edifício sem bases. Impossível a organização de instituições respeitáveis

sem sentimentos humanos dignificados.


O homem elevar-se-á com o Cristo para levantar a política até o plano do

equilíbrio divino ou a política sem Cristo, seja qual for a bandeira a que se acolhe,

precipitará o homem no caos.


Este - o dilema da atualidade, em que a ventania da destruição assopra de


novo...


E, não obstante edificados na certeza de que tudo coopera em benefício dos

que amam a Deus, das claridade de além-túmulo, repetimos para os companheiros do

Evangelho:


- Irmãos, entrelaçai os braços e uni corações, em torno do Caminho, da

Verdade e da Vida! Tormentas de dor rondam os castelos da vaidade humana e gênios

escuros do morticínio acercam-se das moradias sem alicerces.


Os monstros que devoraram as civilizações dos persas e dos assírios, dos

egípcios e dos gregos, dos romanos e dos fenícios espreitam a grandeza fantasiosa dos

vossos palácios de ilusão!... Os oráculos que prognosticaram queda e ruína em Persépolis

e Babilônia, Tebas e Atenas, Roma e Cartago pronunciam angustiados vaticínios em

vossas cidades poderosas...


Polvos mortíferos do ódio e da ambição desregrada multiplicam-se no

oxigênio terrestre, predizendo misérias e desolação. Trazem a fome e a peste em novos

aspectos, desorganizando-vos a vida e desintegrando-vos os celeiros...

Todos vivemos tempos dramáticos de prece, expectação e vigília...

E, enquanto o aquilão da impiedade ruge destruidor, reunamo-nos na


Jerusalém do íntimo santuário!...


Sigamos o Senhor na via dolorosa, como quem sabe que Ele prossegue à


nossa frente, desvelando-nos o caminho da ressurreição eterna.


Vejamo-Lo, heróico e divino, em seu apostolado de sublime renúncia,


vergado à cruz de nossas fraquezas milenárias...


5

É natural que nossos olhos espreside aos destinos, ouçamo-Lo a dirigir-se

às mulheres piedosas que se lhe ajoelhavam aos pés, na cidade santa: "Filhas de

Jerusalém, não chorais por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos, porque

virão dias em se dirá:


- Bem aventurados os ventres que não geraram e os peitos que não

amamentaram! Clamareis então para os montes: -Caí sobre nós! E rogareis aos

outeiros:


- Cobri-nos! Porque se ao madeiro verde fazem isto, que se não fará ao


lenho seco?"


6


DISCUSSÕES


Emmanuel


"Contendas de homem corruptos de entendimento e privados de verdade;

cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais".


Paulo - I Timótbeo: 6-5


No amontoado de problemas espirituais que integram o quadro de

preocupações do discípulo, destacamos o fenômeno palavroso, como dos mais

importantes ao seu bem-estar.


A contenda verbal tem o seu lado útil ou o seu objetivo elevado, no


entanto, é preciso considerar, antes do início, sua verdadeira finalidade.


Discussões a esmo são ventanias destruidoras, Quando alguém delibere


romper o silêncio é indispensável examinar o caráter dessa atitude.


Naturalmente, não estamos falando para o homem vulgar, empenhado em

críticas e todas as criaturas e cousas do caminho comum, olvidando a si mesmo, mas

para o discípulo de boa e sincera intenção.


A inferioridade com seus tentáculos numerosos convida insistentemente aos

atritos, todavia, o aprendiz fiel deve conservar-se vigilante, em seu posto, sob pena de

ser inscrito como servo relapso, indigno da tarefa.


Surgirão, como é justo, horas de esclarecimentos, dilatando as luzes

espirituais nas sendas retas, contudo, quando se verifique um desafio à discussão,

convém meditar gravemente no assunto, antes de se atirar ao duelo das palavras. Não

haverá recurso fora dos elementos de sensacionalismo? Não será falsa piedade,

mascarando a causa de ganho?


Nem sempre esse ganho é o dinheiro; pode ser também prepotência de


opinião, sectarismo, vaidade.


Um homem na sua tarefa de realização com Deus, do trabalho mais simples

ao mais complicado, pode estar certo de que está no lugar próprio, atendendo à Vontade

do Senhor que ali o colocou sabiamente; mas quando se ponha em contendas, ninguém,

nem ele mesmo, pode saber até onde irá e quanto carvão será depositado em sua alma,

após o grande incêndio.


7


AO ENCONTRO DO MESTRE


Agostinho


Meu caro Atila,

A senda do discípulo do Senhor está aberta.

Na retaguarda, é o pretérito de sombras.

À esquerda, surge o território incendiado das paixões.

À direita, aparece o gelado desfiladeiro da indiferença.

Nossa única porta de ação construtiva é a da frente.

Através dela é preciso marchar, amealhando amor e sabedoria ao preço de


renunciação e serviço constantes.


Não te atemorizem, pois, os golpes da sombra.

Refletir a luz do Cristo, em nós, na antiga arena da luta humana, é o nosso


objetivo essencial.


Dilatemos, acima de tudo, a nossa capacidade receptiva, assimilando as

forças superconscientes que fluem de cima para a regeneração do conteúdo de nossa

individualidade.


Comunhão integral com Jesus é a nossa meta.

Para alcançá-la, tudo o que não seja Amor, em suas manifestações, deve


ser esquecido.


Não te detenhas. Avança, por dentro do próprio coração, entendendo a


excelsitude do sacrifício.


Na estrada que trilhamos, milhares de companheiros amontoam recursos de

ouro e pedra para a aquisição de dor e arrependimento. Outros continuam povoando os

celeiros do tempo, com os monstros da insensatez.


Que a voz do Mestre vibre total na acústica de nossa alma, a fim de que os

desvarios da ilusão não nos aniquilem a sagrada oportunidade de escalar o monte

redentor. Ofereçamos a claridade de prece a todos os que desçam provisoriamente no

escuro castelo das horas perdidas.


E adiantemo-nos, não no carro da evidência pessoal, mas no laborioso

esforço da purificação, convictos de que em nosso reajustamento com Jesus permanece

o soerguimento do mundo.


Quando a alma abriga, enfim, o Divino Hóspede, profunda transformação se


opera no sistema espiritual de cada um.


Os olhos jazem incapacitados para a descoberta do mal.

Os ouvidos permanecem atentos às mensagens de sabedoria.

Os pensamentos se concentram invariavelmente no bem.

A palavra tece harmonia e felicidade em todos os recantos.

As mãos agem, incessantemente, sob a inspiração de ordem superior.

O coração, sobretudo, irradia bênçãos de compreensão e fraternidade, onde

quer que se encontre, por estrela consciente a resplandecer nas teias da carne, e o

império do Amor se estabelece no destino, consolidando a obra de sublimação eterna.


Sigamos, pois, pelo calvário da ressurreição sem desfalecer.


8

Na ordem material da Terra, vemos constantemente o homem a esperar

pelo mundo, quando em verdade, o mundo vive esperando pelo homem, observando

ainda que a alma aguarda Jesus, ao passo que o Senhor, de braços compassivos,

aguarda a nossa alma, cheio de magnanimidade e esperança.


Movimentemo-nos, pois, à procura do Mestre e o Mestre virá, tolerante e


sublime, ao nosso encontro.


9

SERVE E ENCONTRARÁS O TESOURO DA LUZ


Emmanuel


Observa a natureza que te cerca no mundo. Tudo é riqueza e esforço


laborioso por assegurá-la.


O solo ferido pelo arado é berço da produção.

A árvore mil vezes dilacerada, persevera auxiliando sempre mais.

A fonte, superando os montões de seixos, pouco a pouco, se transforma em


grande rio, a caminho do mar.


Algumas sementes formam a base de preciosa floresta.

Pedras agressivas, se convertem nas obras-primas da estatuária, quando


não vertem no seio a faiscante beleza do material da ourivesaria.


Animais humildes, padecendo e auxiliando, garantem o conforto das

criaturas contra a intempérie ou alimentam-lhes o corpo, sustentando-lhes a existência.

A pobreza é marca do homem, enquanto se refugia, desassisado, na furna


da ignorância.


Somente a alma humana distanciada do Conhecimento Superior assemelha-

se a um fantasma de angústia de penúria e lamentação.


Se podes observar o patrimônio das Bênçãos Celestiais, no caminho em que

evoluis, procura o lugar de trabalho que te compete e serve infatigavelmente ao Bem,

para que o Bem te ensine a ver a Fortuna Imperecível que o Pai te concedeu por Sublime

Herança.


Serve aos semelhantes, protege a planta e socorre ao animal; seja a tua

viagem, por onde passes, um cântico de auxílio e bondade, de harmonia e

entendimento...


E à medida que avançares na senda de elevação, encontrar-te-ás cada vez

mais rico de amor, encerrando no próprio peito o tesouro intransferível da Luz que te

abençoará com a felicidade inextinguível, nos cimos da Espiritualidade Maior.


10


EXPLICAÇÃO


Emmanuel


Quando Jesus pronunciou a Sua famosa sentença, constante da parábola do

dois filhos, nas anotações de Mateus: "Em verdade vos digo que os publicanos e as

meretrizes entrarão diante de vós no Reino de Deus", não queria dizer que as nossas

irmãs infelizes ou que os negociantes habituados no lucro fácil atingirão

sistematicamente a Esfera Superior, antes daqueles que se dedicam aos trabalhos da fé.

Recordemos, sobretudo, que o Senhor se reporta aos companheiros

petrificados na rebeldia que, mesmo depois do convite à posse da luz permanecem

medraços e perversos no domínio das sombras, no qual respiram em deplorável

retaguarda, espargindo as culpas que adquirem perante a vida.


Por irmãos dessa classe encontramos todos aqueles que devidamente

informados pelos avisos da Religião, quanto aos deveres da solidariedade, vivem

acomodados com a egolatria e com a dureza de coração, muito embora desfrutem do

ensinamento religioso, caminho aberto à aquisição da própria felicidade.


É justo se lhes reclame os elevados testemunhos de lealdade a Deus, no

amor ao próximo ignorando e necessitando, pelas prerrogativas que o Céu lhes conferiu,

sendo assim, natural venham a suportar os resultados da irreflexão e da delinqüência a

que se entregam, toda vez que exalçam o egoísmo e o orgulho, a vaidade e a preguiça,

diante da multidão que lhes roga socorro e entendimento.


Muito compreensível, portanto, que as mulheres desditosas e os homens de

negócios, mergulhados na cobiça, por ignorância e infelicidade, quando despertos para

ao serviço do bem, avancem, destemerosos, na direção dos Cimos, porque a extensão da

falta corresponde à responsabilidade de cada um, e, há muita diferença entre quem

chora e aqueles que fabricam as lágrimas nos olhos alheios, abusando das faculdades


nobres que o Senhor lhes confia, com o quê suscitam a penúria de muitos, demorando-

se por tempo indeterminado no escuro desfiladeiro das grandes reparações.


11


NA LIDE ESPIRITUAL


Emmanuel


Enquanto buscais a revelação da verdade, em nossa companhia,

procuramos convosco o auxílio fraterno para fazer mais luz, no engrandecimento comum.


Não duvideis.

O Espiritismo não traz apenas o adocicado conteúdo da consolação

particular, nos círculos do estímulo ao bem, acentuando o socorro celeste à

personalidade humana. Abre-nos infinita esfera de serviço, em cujas atividades não

podemos prescindir do apoio recíproco, no crescimento da renovação.


Nos alicerces do edifício doutrinário, compreendíamos a curiosidade e o

deslumbramento, acima da responsabilidade e do dever, mas agora que já atravessamos

o primeiro centenário sobre a codificação Kardeciana, é imperioso reconhecer a

necessidade de introspecção, a fim de que não percamos de vista os sagrados objetivos

que nos reúnem.


Nossas linhas de ação se interpenetram com identidade de obrigações para

todos. E nós outros, os desencarnados, não desempenhamos a função de mordomos

especiais ou de mensageiros privilegiados, diante de Jesus. Somos simplesmente vossos

companheiros, constituindo convosco o exército pacífico de trabalhadores, convocados ao

reajustamento espiritual da Humanidade.


À frente dos nossos olhos se desdobram enormes continentes de luta


benemérita, aguardando-nos a boa vontade, na difusão da nova luz.


A superstição levanta fortaleza de sombra, os dogmas cristalizam os

impulsos embrionários da fé e a indiferença congela preciosas oportunidades de

desenvolvimento e elevação, em toda parte.


Indispensável que nosso espírito de fraternidade se manifeste,

restabelecendo através do amor e reestruturando os caminhos da fé por intermédio das

obras edificantes.


Não há tarefas maiores. Todas são grandes pela essência divina em que se


expressam.


O fio d'água que flui ignorado da vertente de um abismo regenera o deserto

de vasta extensão. Um gesto humilde opera milagres de solidariedade. Uma simples

palavra costuma apagar o incêndio emotivo, prestes a converter-se em conflito integral.

Há missões salvadoras que se dirigem ao mundo inteiro, ao lado de outras

que se circunscrevem a uma raça ou a uma comunidade lingüística. Observamos tarefas

que abrangem uma nação ou que se limitam a determinado grupo de indivíduos, num

lar, numa oficina ou numa instituição.


Em todos os lugares, precisamos solucionar problemas, corrigir deficiências


e restaurar as bases simples da vida.


Por isso mesmo, o nosso ministério, antes de tudo, é o da renovação

mental do mundo, sob a inspiração do "amai-vos uns aos outros", segundo o padrão do

Mestre que se consagrou à nossa elevação à cruz.


Por enquanto, nem todos entenderão a nossa mensagem. Milhões de

companheiros dormem ainda, anestesiados nos templos de pedra ou narcotizados pelos

filtros da ignorância que em todos os tempos procura concentrar sobre si as vantagens

materiais do mundo inteiro com desvairado esquecimento da própria alma.


12

Seremos defrontados pelas arremetidas da sombra, pelas ciladas sutís do

mal, pelos grilhões do ódio, pelo venenoso visco da discórdia e pelos tóxicos da

incompreensão, entretanto, o nosso programa fundamental permanece traçado na

revivescência do Evangelho Redentor. Nosso esforço primordial se movimenta na

renovação das causas, a fim de que o campo de efeitos se modifique para o bem.

Somos trabalhadores, dentro da selva compacta de nossos próprios erros

onde encontramos a soma total dos nossos enganos e compromissos de todos os

séculos, lutando, retificando, sofrendo, aprendendo, burilando e aperfeiçoando, no rumo

do porvir regenerado.


Velhos padecentes dos choques de retorno, cabe-nos agir constantemente,

à claridade purificadora da Boa Nova, renovando a sementeira de espiritualidade no

presente, construindo a glorificação do nosso próprio futuro.


Entendemos a função do fenômeno a serviço do esclarecimento individual e

coletivo, contudo, acima dele, apontamos a necessidade de mãos operosas e serenas na

extensão do bem salvador.


A hora é de concretização dos nossos princípios superiores, de

materialização objetiva das mensagens de fraternidade que a nossa confortadora

Doutrina oferece em todas as direções.


Coloquemos o plano externo na posição secundária que lhe compete,

devolvendo ao espírito o justo destaque e importância imperecível que a vida lhe

outorga.


Cabe-nos gerar novas causas de sublimação na vida pública, no trabalho


consuetudinário, no jardim doméstico e na igreja viva dos corações.


Colaborar com Jesus é o nosso dever essencial, plasmando o Evangelho nos

pensamentos, palavras e atos da vida, em todos os recantos de nossa marcha para a

frente, para que o Espiritismo não se faça mero mostruário de verbalismo fascinante;

reduzi-lo a mecanismo de simples investigações ou a florilégio literário seria transformar

o nosso movimento bendito de idéias e realizações edificantes num parque de

assombrações técnicas, de êxtase inoperante ou de personalismo ocioso e improdutivo.

A atualidade é para nós, portanto, de serviço avançado, não só nas

manifestações da inteligência, mas também nas criações do sentimento, com as tarefas

da educação, da assistência, da solidariedade e da compreensão, no apostolado do amor.

Na lide espiritual, desse modo, não existem prerrogativas para qualquer de

nós. O único privilégio de que desfrutamos é o de trabalhar sem recompensa, de auxiliar

sem distinção e aprender sempre, procurando em nosso aprimoramento próprio o

aperfeiçoamento da Humanidade inteira.


Eis porque, enquanto buscais a verdade em nossas palavras, procuramos o


trabalho em vossas mãos.


Em sagrado conjunto de fraternidade, somos os instrumentos do Amigo


Celestial que prometeu auxiliar-nos até o "fim dos séculos".


Resta-nos, pois, rogar a Ele nos ensine atingir convicções sadias e a clarear

os nossos ideais, a fim de que não estejamos tão somente a crer e a confortar-nos, mas

também a servir incessantemente na edificação do iluminado e eterno Reino do Amor.


13


MEMÓRIAS


Irmão X


"Deve ser horrível - diz você - o escândalo em torno de nossa memória. O

homem arrastado ao pelourinho do escárnio público e ao pasto da maledicência, deve ser

uma fogueira de angústia para o coração acordado, além da morte".


Você tem razão. A ave, em pleno céu, que se visse constrangida a voltar à

casca do ovo, ou a árvore luxuriante que fosse obrigada a retornar para a cova de lodo,

sofreriam menos que a alma desencarnada, sob a intimação de regresso às perigosas

infantilidades da experiência humana.


Em tais circunstâncias, laços mais pesados nos religam o espírito, com mais

intensidade, à gleba da carne, e a voz dos nossos julgadores, não raro, nos converte os

ouvidos em receptores gigantescos para os quais convergem todos os apontamentos

justos ou injustos de quantos nos apreciam a conduta e as decisões.


Você já pensou num homem, cujo corpo seja uma chaga viva, tangido


violentamente por milhares de mãos descaridosas e rudes.


Esse é o símbolo pálido com que ousamos qualificar o suplício do

infortunado que lega aos contemporâneos as recordações da própria viagem pela Terra,

quando essas memórias se referem às situações que fazem o inferno dos seus

semelhantes.


Fustigado por reclamações e acusações infindáveis, o morto vivo, com a

infelicidade desse jaez, sofre golpes desapiedados, a torto e a direito, à maneira de um

ferido na praça pública, visitado pelos sopapos e pelos impropérios de toda gente.

E você não calcula o que seja o martírio trazido pela impossibilidade de


qualquer esclarecimento digno!


Falar ou escrever levianamente é expor-se a ouvir o pronunciamento da

insensatez; e por mais que o delinqüente do verbo falado ou da letra reprovável se

proclame arrependido e diferente, mais a crueldade o toma de assalto, esbofeteando-lhe

o rosto amarrotado e disforme, sem que lhe seja facultada a mínima frase de defesa.

Efetivamente, enquanto nos demoramos na carne, é impossível imaginar o


que seja isso.


É o desespero impotente daquele que, em vão, deseja fazer-se

compreendido, é a sede inestancável de entendimento, é o pranto amargurado de quem

observa o incêndio no próprio lar, sem uma gota d'água para extinguir a chama

destruidora.


A figura de Ugolino, o famoso chefe de Pisa, encarcerado na torre da fome,

a devorar as vísceras mortas dos próprios filhos, e que foi encontrado por Dante nos

recôncavos do Estige, é, de alguma sorte, a única imagem para o confronto analógico,

nos casos a que nos reportamos, porque realmente ilhados na solidão de nós mesmos,

entre o pesadelo e o remorso de não termos sido o que devíamos ser, somos obrigados a

tragar os detritos de nossas próprias obras.


Creia você que, em verdade, tudo isso é terrível e doloroso, de vez que o

arrependimento irremediável nos transforma em duendes infortunados, em aflitiva

peregrinação.


Não admita, porém, que isso seja apenas lamentável privilégio de alguns.

Não é necessário fixarmos reminiscências da Terra, em bronze ou papel,


para que a vida nos revele aos outros tais quais somos.


14

Trazemos conosco o arquivo que nos é próprio. Sentimentos e idéias,


palavras e ações são marcas em nossa alma.


Todos alcançaremos o plano em que nosso espírito é um livro aberto.

Intenções ocultas, interferência nos destinos alheios, assaltos disfarçados à

felicidade do próximo, crimes consagrados pela admiração do mundo, misérias íntimas e

desequilíbrios morais aparecem claramente, espantando a nós mesmos, que não

suspeitávamos, de leve, da nossa própria degradação.


Você que conhece tão bem o assunto, cuide dos seus passos e vele pelo

futuro de sua alma eterna, porque a existência, meu caro, seja onde for, é sempre um

livro que o nosso coração anda escrevendo.


15


ORDEM E LUZ


Emmanuel


"A fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida".


Lucas: 2-5


Há muitas pessoas que, como os judeus antigos, se fazem rigorosas quanto


ao conceito de ocasião na prática do bem ou no desenvolvimento do trabalho.


Os fariseus condenavam o Cristo por curar nos dias de Sábado, ao mesmo

passo que, modernamente, muitos aprendizes levam a extremismo suas concepções no

capítulo do descanso dominical ou da aplicação das suas possibilidades de serviço, nos

diversos setores das atividades quotidianas.


Naturalmente que ninguém deverá viver fora da ordem e nada se

conseguirá sem metodização, porém, no centro de toda atividade coordenativa não deve

existir condição convencional para o exercício do bem, porque esta é a luz que

resplandecerá em todas as situações, ao lado de todos os deveres.

Nesse sentido, o Evangelho nos oferece uma lição salutar.

José e Maria dirigindo-se a Belém obedecem à ordenação política de César,

mas Jesus vindo ao seu encontro, nas palhas da Manjedoura, fora do ambiente

doméstico, mostra que a Claridade Divina pode bafejar os trabalhos da criatura em

qualquer parte.


O casal de Nazaré não apresenta desculpas a fim de evitar a obrigação

devida à ordem, Jesus não apresenta condições especializadas para se oferecer às

criaturas.


Daí inferimos que não se deve viver sem ordem em parte alguma,

observando-se, porém, que esta nunca poderá excluir o bem, porque, antes de tudo,

quando respeitada, é o justo caminho, por onde a luz se manifesta.


16


POSSE DA VIDA


Emmanuel


"Milita a boa milícia da fé, toma posse a vida eterna".


Paulo - I Timótheo: 6-12


A recomendação de Paulo de Tarso a Timótheo é eminentemente

expressiva. Examinemos, por exemplo, a primeira sentença: "Milita a boa milícia da fé";

será aproveitar os ensejos de luta, de trabalho, de obstáculos, a fim de provar a

disposição sincera no serviço do Senhor.


Fé não se exterioriza sem ocasiões adequadas e o aprendiz que se furte aos


combates ásperos perde toda oportunidade de testemunho.


Realizada, porém, a devida edificação, o discípulo estará preparado a

receber a Luz Divina, de conformidade com a Segunda sentença: "Toma posse da vida

eterna"; é o apelo Supremo.


O rio da eternidade passa ao lado dos espíritos humanos, oferecendo-lhes o


tesouro imperecível.


As criaturas, porém, na sua generalidade, permanecem interessadas no

jogo da ambição egoística da esfera transitória ou distraídas na ilusão. Muitas fazem o

simulacro de preocupação espiritual, à custa de devocionários convencionais, esperando

favores do Céu que nada fizeram por merecer ou aguardando paraísos de ociosidade,

após a morte do corpo.


Continuam ignorando, às vezes, voluntariamente, que é o próprio espírito


quem ergue o santuário e o habita.


Cada qual povoa o mundo que construiu em si mesmo. Deus cria as

Grandezas Universais e ofece-as aos homens e cada filho, sem falsa compreensão, deve

entrar na posse dos Bens Eternos.


17


SE QUISERES


Emmanuel


Ainda que te sintas anulado pelos obstáculos desse ou daquele teor, se

quiseres vencer o clima de inutilidade que a frustração te impõe à existência, faze algo

para auxiliar alguém e o Amparo Espiritual soerguer-te-á para mais altos níveis de

serviço e renovação.


Ainda que te situes algemado ao leito dos paralíticos, se quiseres volver ao

movimento e à saúde, exercita a paciência e a humildade, induzindo os outros a que se

façam pacientes e humildes, e o Amparo Espiritual te levantará em vitória e refazimento.

Ainda que respires mergulhado nas correntes do vício, cercado de forças

aviltantes, se quiseres entrar no caminho da regeneração, socorre os companheiros de

luta, para que te convertas em padrão de virtude.


Ainda que te vejas no porão de sombria penitenciária, amargando a

condição de resíduo do remorso e do crime; se quiserdes reconquistar o respeito e a

confiança do próximo, sustenta a chama do bem nos irmãos de amargura e o Amparo

Espiritual felicitar-te-á o roteiro com novas oportunidade de reajuste.


Ninguém vive órfão da Divina Paternidade.

Os Herodes da violência, os Zaqueus da usura, os Nicodemos do

preconceito, os Pedros da negação, os Judas da invigilância, os Ântipas do sarcasmo, os

Pilatos da indiferença, e os Tomés da dúvida, encontraram, cada qual a seu tempo, o

sublime momento renovador, diante do Cristo.


Seja qual for a tua inibição ou a tua dificuldade, é possível te afastes delas,


em gradativa libertação.


Para isso, porém, é indispensável te inclines à melhoria, compreendendo


que a vontade é a alavanca propulsora em nossos destinos.


Felicidade ou infortúnio, equilíbrio ou desequilíbrio nascem no imo da


consciência.


Para que alguém, desse modo, desça à furna das trevas ou se exalte à


Culminância da Luz, basta apenas querer.


18


RECEITA DE ALEGRIA


Albino Teixeira


Algumas receitas de alegria para qualquer ocasião:

1 - Apoiar os empreendimentos de auxílio à Humanidade, em particular


àqueles que ainda não se encontram acessíveis ao entendimento geral.

2 - Garantir o trabalho das instituições de benemerência.

3 - Diminuir as necessidades materiais dos companheiros em provação ou


penúria.


4 - Resolver o problema pecuniário de algum pai de família ou de mães


sofredoras largadas em abandono.


5 - Resgatar os compromissos imediatos de algum doente em situação de


infortúnio.


6 - Visitar os obsidiados e socorrê-los, principalmente os mais esquecidos.

7 - Oferecer um lanche fraterno ou alguns momentos de felicidade aos

irmãos internados em casas de reeducação ou recolhidos a organizações assistenciais.

8 - Atenuar as privações das crianças desprotegidas, quando não pudermos


suprimir de todo semelhantes dificuldades.


9 - Distribuir páginas edificantes, favorecendo a esperança e o consolo, o


esclarecimento e a compreensão entre as criaturas.


10 - Tanto quanto se nos faça possível, efetuarmos demonstrações de

tolerância e humildade, perante aqueles com quem ainda não nos harmonizamos, no

caminho da vida, notadamente aqueles que nos sejam menos simpáticos ou que se nos

erigem na estrada em motivos de preocupação.


MODO DE USAR: Refletir nas bençãos que recebemos, incessantemente, do

Amor Ilimitado do Cristo; assumir a iniciativa do Bem; agir em silêncio, e atender às

prestações de serviço, com tanta discrição e naturalidade, que os beneficiários não

estejam constrangidos a nos testemunhar o menor agradecimento.


19


SEJA FEITA A DIVINA VONTADE


Emmanuel


Não aflijas o próprio coração, pedindo ao Céu aquilo que realmente não


constitui nossa necessidade essencial.


Recorda, em tuas orações, que a Vontade Divina endereça-nos, cada dia,

concessões que representam a provisão de recursos imprescindíveis ao nosso

enriquecimento real.


Observa, na sucessividade das horas, as bênçãos do Todo Misericordioso.

Aparecem, quase todas, em forma de trabalho nos pequenos sacrifícios que


o mundo nos reclama.


Aqui, é a família exigindo compreensão.

Ali, é uma obrigação social que devemos cumprir.

Além, é o imposto do reconhecimento que não nos cabe sonegar.

Mais além, é o companheiro de caminho que nos pede auxílio e


entendimento.


Guarda a boa vontade no coração e o serviço nas atitudes, à frente da

Humanidade e da Natureza, e perceberás que não é preciso bater às Portas do Céu com

demasiadas súplicas ou com excessivas aflições.


Repara os nossos irmãos menos felizes que procuram a fortuna amoedada


ou que buscaram os títulos da autoridade terrestre.


Quase todos avançam atormentados, ao calor de braseiros invisíveis,

suspirando pela paz que temporariamente perderam, em recebendo compromissos

prematuros.


É possível que sejas convocado à luta da direção ou à mordomia do ouro; é

provável que amanhã sejas conduzido aos mais altos postos, na orientação do povo ou

no esclarecimento das almas...


Se isso, porém, está nos Desígnios do Senhor, não precisas inquietar-te


através de requisições e rogativas sem qualquer razão de ser.


Não intentes a aquisição de bens ou responsabilidades para os quais ainda


não te habilitaste.


A árvore, sem angústia, cresce para a colheita e a fonte, sem violência,

desliza no espaço e no tempo, acabando por encontrar a serenidade do grande oceano.

Cumpre o dever de hoje, com segurança e tranqüilidade, sê, antes de tudo,

correto e irrepreensível para com os outros e para contigo mesmo, e o Plano de Eterna

Sabedoria te alçará gradativamente a serviços sempre mais expressivos e sempre mais

importantes, porque na confiança de tua fidelidade ao Bem, estarás repetindo com Amor

de Jesus: "Seja feita, Senhor, a Tua Vontade, assim na Terra como nos Céus".


20


SEMEADURAS E CEIFAS


Emmanuel


"Porque o que semeia na sua carne, da da carne ceifará a corrupção".


Paulo - Gálatas: 6-8


Plantaremos todos os dias.

É de Lei.

Até os inativos e os ociosos estão semeando escalracho da imprevidência.

Há sementes que produzem no curso de breves semanas, outras, todavia


que só oferecem o fruto no breve decorrer dos séculos.


Em todos os tempos a multidão semeou complicações de natureza material,

agravando a teia das reencarnações dolorosas, demorando-se no plano da decadência.

Ainda hoje, há os que pretendem curar a honra com o sangue alheio e lavar


a injustiça com as represálias do crime.


Daí o ódio de ontem gerando as guerras de hoje, a ambição pessoal

formando a miséria que há de vir; os prazeres fáceis requisitando retificações de

amanhã.


Até o presente, apenas alguns discípulos, de quando a quando,

compreendem a necessidade da Semeadura Espiritual em si mesmos, diferentes de

quantas se conhecem no mundo, e marcham no caminho do mestre Supremo.


Se desejas plantar na Lavoura Divina, foge ao velho sistema de semeadura


na corrupção e ceifa na decadência.

Semeia para a Vida Eterna.

Repara as multidões encarceradas nesse antigo processo e segue para o


Senhor, cuidando das próprias aquisições.


21


SENSAÇÕES ALÉM TÚMULO


Emmanuel


Não olvides que a morte do corpo denso reintegrar-te-á no patrimônio de


emoções que amealhaste a benefício ou em desfavor de ti mesmo.


Agora que te confias à multiplicidade de idéias e sonhos, anseios e

impressões, no campo da própria alma, a dividir-se através dos sentidos que te

compõem o mundo sensorial, és qual fonte de vida a espraiar-se no solo da experiência;

entretanto, amanhã, serás a síntese de ti próprio, na justa aferição dos valores que a

Providência te conferiu.


Se o Bem te preside a jornada, decerto, sob o Amparo da Lei, receberás do

Senhor novos mandatos de serviço em consonância com os teus ideais, porque no culto

do dever retamente cumprido, todas as criaturas ascendem verticalmente a novos

quadros evolutivos.


Mas, se encarceras o espírito nos enganos da sombra, não esperes que a

ausência da teia física se te faça, mais tarde, equilíbrio e libertação, de vez que a Lei,


ciosa de seus princípios, guardar-te-á nos resultados da tuas próprias ações, compelindo-

te a restaurar os fios do destino, associando-se aos propósitos do Pai Excelso.


É por isso que as sensações além-túmulo representam o retrato positivo

das imagens que criamos no laboratório da existência física, determinando, segundo a

lição do Mestre, que o fruto de nossos desejos esteja à nossa espera, onde guardarmos o

coração.


Não te esqueças de que a alegria do Céu e os tormentos do inferno

começam, invariavelmente, em nós próprios, plasmando em derredor de nós mesmos o

flagelo das paixões destruidoras que houvermos abraçado no convívio deliberado da

sombra, ou no Brilho do Bem, a que tivemos empenhados as nossas melhores forças, no

sacrifício incessante pela Vitória da Luz.


22


SOBRIEDADE


Emmanuel


"Não durmamos pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios".


Paulo - I Tessalonicenses: 5-6


Em todos os setores das atividades terrestres, mesmo nos círculos externos


do esforço religioso, há muita gente dormindo nos braços das ilusões.


Aqui o egoísmo mascarado de bondade irreal, ali é a preocupação sectária


sob as aparências da fé.


O discípulo sincero, todavia, aprende a receber os apelos do Evangelho, de


modo a não dormir, como os demais.


É preciso estar pronto ao serviço e vigiar, fielmente. Entretanto, na


vigilância ainda encontram os aprendizes certos perigos mais fortes.

São os que condizem com a ausência da sobriedade.

Quase sempre, quando se encontra essa palavra, a criatura reflete

imediatamente nos desregramentos do corpo. Mas, o cristão não deve olvidar o caráter

nefasto das intemperanças da alma.


Muitos aprendizes de boa vontade tornam-se irascíveis, inquietos e, por


vezes, cruéis, acreditando servir à causa de Cristo.


Vigilância não quer dizer olho alerta para indicar o mal, mas posição de

concurso sincero com Jesus a fim de substituir o mal pelo bem, em silêncio, onde quer

que se encontre.


Sem a sobriedade, a realização dessa tarefa se torna impossível. É

indispensável não desperdiçar emoções ou distrair energias em problemas

desnecessários.


Sejamos, pois, vigilantes, dando a cada um aquilo que lhe pertence.


23


SOLIDARIEDADE


Emmanuel


Sem o devido culto à solidariedade na vida, indiscutivelmente, nossos

passos, por mais firmes, não surpreenderiam à frente senão desequilíbrio e perturbação,

desentendimento e morte.


Afere-se o valor da criatura em função da sociedade em que vive.

Imaginemos o senhor da mais alta fortuna terrena, relegado a plano


deserto...


O dono da melhor inteligência sem ouvidos que o ouçam...

O pastor sem rebanho...

O palácio imponente sem viv'alma que o povoe...

O navio mais suntuoso navegando sem ninguém...

Não adiantam a excelência e o poder, a riqueza e o destaque sem proveito.

A solidariedade reside nas bases mais simples da vida, para que a vida se


estenda em cânticos de alegria e glorificação.


A fonte alimenta o arvoredo e o arvoredo protege a fonte, oferecendo-nos,


com isso, a benção do fruto.


As pedras resguardam o cimento que as reúne e o cimento equilibra as


pedras que o consolidam, doando-nos o refúgio do lar.


Tudo é interdependência e sustentação recíproca nos mínimos recantos da

natureza, para que o homem desfrute o aprendizado da existência no corpo - breve

estágio da luta - para a sublime ascensão à Imortalidade Vitoriosa.


Atendamos aos impositivos da fraternidade e compreendamos que a Lei

Divina, em tempo algum, nos deseja confiados ao insulamento que, no fundo, é sempre

egoísmo, ainda mesmo quando nos retiremos do combate humano, a pretexto de

conservar a virtude e garantir a fé.


A própria família, consangüínea a que todos nós nos enquadramos, quando


no mundo carnal, é uma ordem de assistência mútua.


Ninguém surge na Terra, sem o carinho do berço e o berço é sempre a


ternura de mãe, a desfazer-se em talentos de paz e luz.


Honremos ao Senhor que nos honra com as oportunidades atuais de

realização e serviço e amparando-nos, uns aos outros, de acordo com as nossas

deficiências, abreviaremos nosso caminho de acesso à Felicidade Maior.


24


SUBMISSÃO


Emmanuel


Louvemos a Deus em nossa canção cotidiana, aprendendo a agradecer-lhe,

em silêncio, as nossas necessidades fundamentais, entretanto, não nos esqueçamos da

submissão incondicional aos Seus Desígnios para que um dia venhamos a senhorear a

Herança Divina que o Seu Infinito Amor nos reserva.


Ante o pão simples que te nutre os dias terrestres, recorda a obediência dos

elementos da natureza para que teu corpo não desfaleça aos assaltos da inanição.

A semente do trigo decerto, teria desejado permanecer na quietação do

celeiro, mas a lei do progresso, compeliu-a a sofrer solidão e morte, na cova obscura,

desenfaixando-lhe os princípios de vida oculta para convertê-los no embrião promissor.

O grelo tenro teria aspirado o sossego inalterável do ninho em que distendia

as folhas primeiras, contudo, a lei do progresso obrigou-o a desenvolver-se a crescer, até

produzir o fruto sadio.


Certamente, o fruto novo teria anhelado a continuação da calma no


depósito em que jazia indolente, mas a lei do progresso, esmigalhou-lhe, transformando-

o em farinha.


E, sem dúvida, a farinha estimaria inércia, entretanto, a mesma lei

inexorável, submeteu-a à influência do fogo para metamorfoseá-la no pão que te

reconforta.


Não especifiques caprichos e exigências, diante do Eterno Pai.

Jesus Cristo, o Governador da Terra, passou entre os homens como o

servidor que obedece, desde a Manjedoura, que O acolhia dentro do mundo que O

expulsava, até à cruz de flagelação e martírio que não mereceu.


Aprendamos a aceitar as dores expiatórias que nós mesmos criamos pelos

desregramentos do passado que revive no presente e, a respeitar, acima de tudo, na lei

do sacrifício próprio, com serviço incessante no bem de todos, a melhor maneira de

nascer, viver, morrer e renascer de novo na Terra, até alcançar-mos, vitoriosos, o Divino

Horizonte de nossa Eterna Ressurreição.


25


SUBLIME TRIÂNGULO


Emmanuel


Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado desse modo como um triângulo


de forças espirituais.


A Ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a


Religião é o ângulo divino que a liga ao Céu.


No seu aspecto Científico e Filosófico, a Doutrina será sempre um campo

nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos, de natureza

intelectual, que visam o aperfeiçoamento da Humanidade.


Na aspecto Religioso, todavia, repousa a sua Grandeza Divina por constituir

a restauração do Evangelho de JESUS CRISTO, estabelecendo a renovação definitiva do

Homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual.


26


VIDA E MORTE


Emmanuel


"Porque o que semeia na sua carne, da da carne ceifará a corrupção".


Paulo - Gálatas: 6-8


Plantaremos todos os dias.

É de Lei.

Até os inativos e os ociosos estão semeando escalracho da imprevidência.

Há sementes que produzem no curso de breves semanas, outras, todavia


que só oferecem o fruto no breve decorrer dos séculos.


Em todos os tempos a multidão semeou complicações de natureza material,

agravando a teia das reencarnações dolorosas, demorando-se no plano da decadência.

Ainda hoje, há os que pretendem curar a honra com o sangue alheio e lavar


a injustiça com as represálias do crime.


Daí o ódio de ontem gerando as guerras de hoje, a ambição pessoal

formando a miséria que há de vir; os prazeres fáceis requisitando retificações de

amanhã.


Até o presente, apenas alguns discípulos, de quando a quando,

compreendem a necessidade da Semeadura Espiritual em si mesmos, diferentes de

quantas se conhecem no mundo, e marcham no caminho do mestre Supremo.


Se desejas plantar na Lavoura Divina, foge ao velho sistema de semeadura


na corrupção e ceifa na decadência.

Semeia para a Vida Eterna.

Repara as multidões encarceradas nesse antigo processo e segue para o


Senhor, cuidando das próprias aquisições.


27


SENTINELAS DA LUZ


RECEITA DE ALEGRIA

SE QUISERES

SEJA FEITA A DIVINA VONTADE


Onde a caridade aparece

aí está a presença de Deus.


Emmanuel - Antologia da Caridade


28


SENTINELAS


DA


LUZ


FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER


Ditado Por

Espíritos Diversos


29


ÍNDICE


ANTE O FUTURO

Nas Convulsões Do Século Xx

Discussões

Ao Encontro Do Mestre

Serve E Encontrarás O Tesouro Da Luz

Explicação

Na Lide Espiritual

Memórias

Ordem E Luz

Posse Da Vida

Se Quiseres

Receita De Alegria

Seja Feita A Divina Vontade

Semeaduras E Ceifas

Sensações Além Túmulo

Sobriedade

Submissão

Sublime Triângulo

Vida E Morte


Onde a caridade aparece

aí está a presença de Deus.


Emmanuel - Antologia da Caridade

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